sexta-feira, 23 de setembro de 2011

COLUNA - A VIDA NO PALCO

"ESTE É O PRIMEIRO ARTIGO DA MINHA COLUNA NO JORNAL DA GENTE | ITAPEVI - REGIÃO OESTE | publicado em 06 de agosto de 2011.




UM NOVO RITUAL

Debruçado em minha mesa, cercado de material de estudo das peças que estou dirigindo, “por que não fazemos uma peça, as estudamos”, inicio um novo ritual: escrever para o JORNAL DA GENTE. O primeiro passo é sempre difícil, principalmente porque há muito o que se dizer, mas assim como em minhas peças vamos começar pela base que estruturará todo o restante do trabalho. Porque escrever? E porque o leitor deve dedicar seu tempo lendo? E quem sou, já que antes de mais nada é necessário deixar claro minha propriedade em dizer o que digo. Mas não posso de deixar hoje uma ótima indicação para ver um teatro de qualidade em Itapevi, com um renomado e premiadíssimo grupo de São Paulo, e melhor ainda: de graça.

O Teatro está enraizado no consciente popular: falamos sobre, pensamos sobre, mas o que efetivamente conhecemos? Se não as peças que montamos em nossa fase de escola, onde apenas dois quesitos são necessários: decorar o texto, já você precisa saber o que vai dizer, e saber em que lugar do espaço você vai estar, pois você não pode cobrir o amiguinho. Esta coluna existe para trazer à luz o universo teatral, que borbulha nas veias da cidade de São Paulo, mas que por muito tempo esteve inacessível para nossa região, devido à ausência de um espaço como esse.

Quem é André de Araújo? - Diretor Teatral de Itapevi há mais de uma década, sendo um grande colaborador da peça A PAIXÃO DE CRISTO, como ator, dramaturgo, produtor e Diretor: de 2003 a 2007 no Grupo Teatral da Igreja Medianeira de Todas as Graças, em 2007 em uma iniciativa livre de atores e pela Prefeitura Municipal de Itapevi em 2008 e 2009, além de ter sido Coordenador e Professor de Teatro da Casa da Cultura de Itapevi de 2007 a 2009 e participou de outros diversos grupos.

Atualmente especializa-se em Direção Teatral, focada nas Escolas Realistas e Épicas, na SP ESCOLA DE TEATRO, querido, aprendiz dos diretores Rodolfo Garcia Vasquez (Satyros, vencedor do Prêmio Shell 2010) e Brian Penido (TAPA). Dirige o Grupo Teatral OS LIBERTINOS, em Itapevi, o NÚCLEO DE PESQUISA LINHA LARANJA, na região central  e volta em agosto a dar oficinas na COMUNIDADE KOLPING CARDOSO, que tem inscrições abertas, no telefone 4773.1131.

Escreve para os blogs: umteatrobastardo.blogspot.com (contos, crônicas e afins), diretoresaprendizes.blogspot.com (material sobre teatro)  e poesianobrassp.blogspot.com (projeto de difusão literária).

O terceiro sinal foi dado, está na hora do espetáculo. Caem os palcos mas não se cala a arte!

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

O QUE SE SEGUE DEPOIS DO VAZIO

Há diversos meses não posto em meu blog.
Talvez seja o desanimo, ou a falta de tempo. 
A a principal ideia que me vem a cabeça é a possível falta de ter o que escrever!
Mas como não ter o que escrever se este tem sido um dos anos mais intensos da minha minha, onde diversas "re-evoluções" estão acontecendo.

Bem o vazio é devido o excesso. Excesso de trabalho, de projetos, de ideias, pensamentos, que não conseguem convergir em algo para aqui.
Hoje debilitado sem poder sair de casa, sento-me em frente ao computador e começo a resolver as diversas tarefas e projetos que estão empoeirados.

O que segue depois do vazio? Quem sabe?

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

PEDAÇO DE MIM ( a partir de Martha Medeiros)



Nesta amanhã quando me levantei, enquanto lavava o rosto, pensei...
Vi que sou feito de sonhos interrompidos, de diversos detalhes despercebidos, alguns amores mal revolvidos.

Percebi que em muito momentos ou feito de lágrimas que correram sem razão.

E que no meu peito sinto falta de lugares que não conheci e de experiências que não vivi. E sinto o vazio de momentos que já esqueci.

Eu sou amor e carinho constante, distraído até que bastante por não paro nem por um instante.

Já tive milhares noite mal dormidas, perdi pessoas muito queridas e cumpri coisas não-prometidas.

Muitas vezes eu desisti sem mesmo tentar, pensei em fugir, para não enfrentar e sorri para não chorar.

Eu sinto pelas coisas que não mudei, pelas amizades que não cultivei, por aqueles que eu julguei e pelas coisas que sem pensar eu falei.

Tenho saudade de pessoas que fui conhecendo, das lembranças que fui esquecendo e dos amigos que acabei perdendo.

Enquanto me encarava no espelho...
Dizia bem baixinho...
... que continuo vivendo e aprendendo

(texto a partir do poema homônimo de Martha Medeiros)



quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

ADEUS AMOR! parte 01

 
1979. Este seria um ano que ele preferia não ter vivido, desejava com todas suas forças ter sucumbido por qualquer peste ou acidente, para não ter que estar ali, sentado naquele banco frio, debaixo daquela árvore, naquele maldito outono, tendo que encarar aquela dor imensurável.
Assim como as árvores que estão perdendo suas folhas, também ele esta despedaçando-se por dentro e esta dor é clara em seus olhos, que um dia tiveram cor de mel. A morte estava ali ao seu lado como sua sombra observando-o, ela havia varrido mais uma vida trazendo a dor, o sofrimento e a angústia para muitos e principalmente para ele.
Mas agora, após 35 dias tudo havia terminado, pelo menos para ele. Respirou fundo e tentou sem sucesso algum conter uma lágrima que teimava ainda em cair, ascendeu o um cigarro, este devia ser o primeiro do terceiro maço daquele dia. Ao seu lado no banco frio uma garrafa do mais barato conhaque, ele já não se importava com o amanhã, nenhuma diferencia faria para ele ter dor de cabeça na manhã seguinte ou se passaria mal, pois ele pretendia continuar a nutrir sua alma com seu corpo anestesiado pela bebida, só havia uma única vontade em seu coração: morrer também.
Naquele final de tarde, ali sentado ele chorava, sim, pela morte de sua amada esposa, mas chorava muito mais por saber o quão desgraçada, infame e maldita era sua vida.
O vento soprou calmo, e ele virando sua cabeça para a direita pôde ver como num flash back sua amada, seus olhos enchiam-se ainda mais de lágrimas, via o dia em que se conheceram, seu casamento, seus planos de vida perfeita, a viagem que tão animados planejavam.  Eram lembranças que permeavam sua mente neste instante, mas era o cabelo ruivo de que ele mais se lembrava, compridos e cacheados, eles balançavam divinamente ao vento quando ela se inclinava de um jeito singular. Por um único instante, em meio aquele outono destruidor, o aroma adocicado dos cabelos ruivos dominaram aquela praça e tudo pareceu florescer como se fosse primavera, mas tudo foi destruído subitamente por uma imensa mancha de sangue que o dominou por completo.
Por de trás desta névoa de sangue o rosto da velha Francisca subjuga o anterior quase que instantaneamente. Lembra-se do maldito dia em que permitiu que aquela mulher entrasse em sua casa para transformar sua vida, que um dia foi bela, em uma verdadeira desgraça.
Desgraçada! Este é o único nome que ele poderia dedicar à parteira. Com riqueza de detalhes toda a história vem a sua cabeça.
Lá está ele abrindo a porta, a velha entra e sobre seu ombro direciona seu olhar para a linda ruiva que busca o olhar de seu amado, que saturado pela vergonha foge do seu. Em silêncio ele permite que a velha entre e fecha a porta com o enferrujado trinco. A velha caminha lentamente em direção a mulher, aproxima-se e com suas hábeis mãos tranqüiliza-a, uma mão sobre o ventre que pouco revela o sexto mês, e a outra afagando o ombro tentando prepará-la para o que havia de se acontecer.
Ele permanece de costas, a velha conduz a jovem que continua a buscar um olhar para se pegar para dentro, mas ele permanece de costas até que elas sumissem no escuro do corredor, que levava ao quarto do casal. Aí sim ele respirou fundo e levou as mãos até o rosto subindo até seus cabelos negros e lisos, tentando se acalmar. Olhou para o corredor, mas não existia mais nada ali para ser visto, elas já haviam se perdido nas trevas. Então sentou-se no banco de madeira que ficava na parede atrás da porta. Ali ele ficou sentado até tudo terminar.
O silêncio era quase que supremo, poucos foram os sons emitidos, para ser exato, apenas dois, o primeiro um pequeno choro contido que logo cessou, é provável que ainda não tivesse começado, e por fim um suplício baixo e abafado, mas forte, carregado de dor e sofrimento e novamente o silêncio.
Com os olhos fixados na escuridão ele pode ver de longe que algo se aproximava, por um instante pensou que poderia ser Deus vindo buscar seu quinhão, mas voltou à realidade com os sons dos passos dos velhos sapatos de couro. Era Francisca, que caminhava em sua direção. Ele não podia encarar seu fracasso e sua vergonha, por isso baixou a cabeça. Quando a velha parou em sua frente levantando vagarosamente a cabeça viu entre aqueles braços flácidos um embrulho feito com seus lençóis. Ela estende as mãos para ele, que recebe o ser que cabia em suas palmas, imerso em uma espécie de transe pensou em descobrir e encarar o pequenino, mas conteve-se quando do lençol um filete de sangue escorreu manchando suas caras botas. A velha voltou para a escuridão e ele caminhou para o fundo da casa, lá entre as rosas cavou um pequeno buraco, não excedia meio metro, com certeza, e lá depositou o corpo do pequenino, um ser inominável, que nem sequer chegou a formar-se, ainda era uma idéia, uma possibilidade, uma nota que nunca foi entoada numa música, mas era André.
Quando terminou sua funesta tarefa bateu a terra que estava em sua roupa, por hábito ou pura ignorância, fez o sinal da cruz em frente ao sepulcro secreto entre as rosas e entrou.
Na casa encontrou já prostrada na porta a velha que por habilidade adquirida nos anos de oficio, muito provavelmente séculos, já havia terminado todo o trabalho e estava ali para receber seu pagamento. Ele prontamente enfia a mão em seu casaco e de lá tira um amontoado de notas, leva o dedo a boca como reza o hábito e conta as notas, separa duas notas de vinte e entrega à velha. Ela o encara de forma fria, fecha os olhos com satisfação e com a cabeça sinaliza positivamente e finaliza com um desdentado sorriso.
Ele abre a porta e mais uma vez ela some nas trevas, só que desta vez para nunca mais. Ele recompõe-se, bate novamente a terra de sua roupa e entra na escuridão, caminha devagar pelo corredor e pára em frente a porta de seu quarto e de lá mesmo do corredor, encostado à porta, ele observa aquela que um dia foi seu lindo e adorável anjo ruivo.
Ela está ela sobre a cama com os olhos fundos e avermelhados pelo choro que ela segura bravamente. Os cabelos ruivos de outrora tão belos e vistosos agora encharcados pelo suor parecem negros. Uma de suas mãos repousa sobre o ventre vazio assim como sua alma enquanto a outra faz jogada sobre a cama.
Com o rosto virado para o lado oposto ao da porta, ela fixa seu moribundo olhar para o nada em silêncio e assim, muda, ela permaneceu.

Texto de 18 de outubro de 2010

domingo, 2 de janeiro de 2011

ENSAIO SOBRE UM TEATRO SAGRADO E PROFANO


Há muito tempo a trás perguntaram-me sobre o significava o teatro para mim. Não me recordo de minha resposta mais tenho certeza que o que respondi foi repleto de chavões e clichês vazios fruto da inocência, inexperiência e imaturidade da idade. Hoje após 11 anos de teatro: evolui , desenvolvi, cresci, provei do fruto proibido do teatro verdadeiro. Hoje se me perguntarem sobre o que é o teatro, responderei sem medo de errar que nada sei sobre o teatro. Apenas sei o que ele representa para mim: O teatro é meu vicio minha droga e meu remédio. Minha doença e minha cura. O teatro é meu filho, meu pai e minha amante minha religião. Relacionamo-nos de forma vampiresca, pois ele me consome enquanto o abuso. Estupro-o enquanto ele faz o mesmo a mim. Desta relação vivo para fornicar e fornico para viver. Perco-me em seus braços. Sou sua cria e seu criador. Seu servo e seu mentor. Aprendi que o teatro não imita a vida como alguns pregam, pois o teatro é a própria vida é a arte de viver plenamente esta vida com uma única diferença da vida fora do palco; A consciência de estar vivendo. Aprendi a odiar a falsa arte, o oportunismo, o caminho mais fácil. Mas principalmente aprendi que não existe o salvador, não existe catequização não é esta a função de minha arte. Penso logo existo, questiono e contesto para afirmar esta minha existência. Aprendi a respeitar as diferenças. Aprendi a ser a diferença e assim como Voltaire penso que: “posso não concordar com o que diz, mas defenderei até a morte seu direito de dizê-lo!”, mesmo que seja a maior asneiro da face da terra. Só não me peça para concordar, não me peça para calar-me, pois minha arte é e sempre será um MANIFESTO.


André's Araújo
Diretor Teatral
(Extinta) Cia. Teatro Sagrado Profano

Este texto foi produzido para o programa da peça MANI FESTO de 15.07.2009 (o texto não foi usado devido à pressão que existia com relação ao espetáculo) tido como subversivo, pra evitar complicações para o elenco me abstive de usá-lo, porém da mesma forma o espetáculo gerou polêmica, resultando em minha EXPULSÃO da Casa da Cultura e algumas ameaças de processos, entre outros por indução de menores, no final pura besteira de uma mentalidade antiquada e ultrapassada. Mas devo admitir que foi uma interessante experiência ser censurado em pleno séc. XXI

CUMPRI-SE A TAREFA DA MINHA ARTE... PROVACAR O PENSAMENTO E ATENTAR CONTRA A APÁTIA, O ÓCIO MENTAL E PRINCIPALMENTE DETURBAR A ORDEM HIPOCRITA DO REAL

EVOÉ BACO.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

APROVADOS 2011

Desde outubro venho desdobrando-me para realizar as provas e ainda tentando manter a calma, para não pirar, mas agora tiro um imenso peso das costas sabendo que posso dormir...
Sem descansar pois a jornada apenas se inicia...

EVOÉ BACO!



domingo, 19 de dezembro de 2010

NOITE FRIA - pt. 01



Apertar o play. Esta é a primeira ação que tem ao pisar na rua, em seu tocador de música ela escolhe uma música que pudesse traduzir sua alma e descrever seus sentimentos naquele momento. Coloca em seus ouvidos os fones e começa a andar. Seu corpo se arrasta em passos lentos que são embalados por uma melancólica e triste música.
Está frio e o dia está quase por acabar, ela anda olhando para o chão e deixa seu olhar se fixar em seus velhos sapatos pretos. O vento sobra muito forte obrigando-a a dar mais uma volta em seu cachecol, em poucos minutos, lá está ela parada na plataforma ferroviária, pois seu destino é um lugar extremamente distante de sua simples casa de subúrbio.
A estação encontra-se praticamente vazia, excluindo-se existem apenas mais duas outras almas por ali, duas mulheres que inutilmente passam suas vassouras sobre o empoeirado chão, que insiste em sujar-se novamente devido o vento de outono que derruba e espalha as folhas de uma velha árvore que desde sua infância tenta dar um pouco de vida aquele monstro de concreto.
“A vida parecia fácil...” era o que inocentemente ela pensou um dia, mas agora pergunta-se “O que significa a palavra fácil?” e só consegue pensar em quando dizem que hoje em dia as coisas são mais fáceis, o ser humano conseguiu inventar uma infinidade de coisas, que para ela era simplesmente um monte de lixo, pois mesmo dotado da tanta sabedoria não conseguiram inventar algo que o tornasse melhor, não inventaram algo que transmutasse sua dor em paz ou seu sofrimento em tranqüilidade.
Já não era mais hoje, o hoje já havia se tornado o ontem para que o amanhã fosse o agora. E ela estava ali, parada, prostrada no início da plataforma, este era mais um de seus inúmeros rituais: descer as escadas e se distanciar o máximo das pessoas. E ali, parada nesta noite fria, ela parecia estar em outro mundo, embalada por sua música dispersa de qualquer outra coisa senão os galhos da velha árvore que se inclina para a direita com o vento.
O trem parou exatamente em sua frente e assim que as portas se abriram a única coisa que ela precisava era dar o primeiro passo e entrar no vagão para iniciar sua jornada, uma jornada que marcaria mais uma vez sua vida, marcaria esta sua nova vida e ela desejava não repeti-la, não nesta vida.
Dentro do vagão apenas mais três pessoas viajavam e estas pessoas traziam estampados em seus semblantes a clara transfiguração do fracasso. Estavam ali quatro indivíduos sentados distantes um dos outros, cada um com suas histórias e seus fantasmas.
A música continua insistentemente a tocar e ela já não sabe mais o que está sentindo, seus sentimentos já haviam se tornado um emaranhado de idéias velhas e vagas. Aos poucos o vagão vai esvaziando e ela fica totalmente sozinha, porém não mais metaforicamente.
A luz fria do vagão torna tudo apático e sem vida, nem mesmo o rubro banco trás a cena vida ou brilho. Inóspita, solitária de corpo e alma, seus pensamentos começam a afetar seus sentidos tornando-os tão confusos quanto sua mente.
Mas é a visão a primeira a trair-lhe. Com a cabeça encostada no banco olhando para o alto vê as luzes dançarem e tornarem-se como salamandras extasiadas. Seus sentidos parecem um amontoado de merda, e merda seria o perfeito reflexo para descrever sua existência.
As luzes, assim como todas as superfícies brilhantes daquele lugar, passam a desfocar-se a cada momento que ela tentava identificar o que via, possivelmente deveria estar muito cansada, cansada demais até mesmo para reclamar.
Ela é um vaso vazio e sua alma há muito tempo já havia abandonado seu corpo, para que toda esta merda pudesse penetrá-la.
Quem era ela, quem era esta personagem sentada em um banco solitária no primeiro vagão deste trem da madrugada, quem são as mães por trás dos milhares de cartazes de desaparecidos, quem são aqueles que morrem vítimas da violência sem terem o direito de conhecerem seus algozes, muito menos os motivos que o levaram, quem são aqueles que morrem nas filas antes mesmo de seus corpos, pois a esperança os abandonam à sorte, quem são aqueles que morrem no cárcere, quem é este que rabisca estas palavras sentado sozinho debaixo de uma luminária tendo como seu consolo apenas um cigarro já pela metade e uma garrafa de conhaque? Quem é você que está neste instante esta escutando esta história? Se somos nós incapazes que de reconhecer-nos, quem dirá esta nossa personagem que não mais se reconhece nem ao espelho muito menos consegue ter consciência de quais caminhos sua vida a fez trilhar.
Ela respira fundo, mais um ritual, é sempre assim respira fundo ao ver de longe o início da última estação, seu ponto final, neste instante uma lágrima escorre por seu rosto, lágrima esta que ela mesmo já não consegue mais explicar tornou-se tão comum que não dói mais, antes mesmo que possa secá-la o trem para.
E o fim e mais uma noite começa para as crianças perdidas.

Inicio 13/10/2010 – 02h15m
Termino 18/10/2010 – 21h38m
Digitado em 23/10/2010 – 03h11m

Leia ouvindo – Run (Snow Patrol)
http://www.youtube.com/watch?v=jS8IZcx7tJY