domingo, 2 de janeiro de 2011

ENSAIO SOBRE UM TEATRO SAGRADO E PROFANO


Há muito tempo a trás perguntaram-me sobre o significava o teatro para mim. Não me recordo de minha resposta mais tenho certeza que o que respondi foi repleto de chavões e clichês vazios fruto da inocência, inexperiência e imaturidade da idade. Hoje após 11 anos de teatro: evolui , desenvolvi, cresci, provei do fruto proibido do teatro verdadeiro. Hoje se me perguntarem sobre o que é o teatro, responderei sem medo de errar que nada sei sobre o teatro. Apenas sei o que ele representa para mim: O teatro é meu vicio minha droga e meu remédio. Minha doença e minha cura. O teatro é meu filho, meu pai e minha amante minha religião. Relacionamo-nos de forma vampiresca, pois ele me consome enquanto o abuso. Estupro-o enquanto ele faz o mesmo a mim. Desta relação vivo para fornicar e fornico para viver. Perco-me em seus braços. Sou sua cria e seu criador. Seu servo e seu mentor. Aprendi que o teatro não imita a vida como alguns pregam, pois o teatro é a própria vida é a arte de viver plenamente esta vida com uma única diferença da vida fora do palco; A consciência de estar vivendo. Aprendi a odiar a falsa arte, o oportunismo, o caminho mais fácil. Mas principalmente aprendi que não existe o salvador, não existe catequização não é esta a função de minha arte. Penso logo existo, questiono e contesto para afirmar esta minha existência. Aprendi a respeitar as diferenças. Aprendi a ser a diferença e assim como Voltaire penso que: “posso não concordar com o que diz, mas defenderei até a morte seu direito de dizê-lo!”, mesmo que seja a maior asneiro da face da terra. Só não me peça para concordar, não me peça para calar-me, pois minha arte é e sempre será um MANIFESTO.


André's Araújo
Diretor Teatral
(Extinta) Cia. Teatro Sagrado Profano

Este texto foi produzido para o programa da peça MANI FESTO de 15.07.2009 (o texto não foi usado devido à pressão que existia com relação ao espetáculo) tido como subversivo, pra evitar complicações para o elenco me abstive de usá-lo, porém da mesma forma o espetáculo gerou polêmica, resultando em minha EXPULSÃO da Casa da Cultura e algumas ameaças de processos, entre outros por indução de menores, no final pura besteira de uma mentalidade antiquada e ultrapassada. Mas devo admitir que foi uma interessante experiência ser censurado em pleno séc. XXI

CUMPRI-SE A TAREFA DA MINHA ARTE... PROVACAR O PENSAMENTO E ATENTAR CONTRA A APÁTIA, O ÓCIO MENTAL E PRINCIPALMENTE DETURBAR A ORDEM HIPOCRITA DO REAL

EVOÉ BACO.

Um comentário:

fernando disse...

horra sabe o que é legal com tudo isso que sinal que a menssagem ao publico que vc queria passar diante esssa peça deu serto e foi um grande espetaculo e os espatuculos tem isso criticas e é isso que irriquece nosso trabalho pra min essa foi a melhor peça e peça mais marcante na minha vida e fico muito feliz por ter participado dela .